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16
mar

Coronavirus e impactos socioambientais: o que precisamos mudar na prática corporativa?

Analisando este conflito causado pelo coronavirus fica claro, para mim, que a estratégia de reter informações, desacreditar dados para evitar o pânico, foi o que causou seu crescimento gigantesco. Informação correta, fidedigna, clara e rápida sempre evita a escalada dos conflitos. Cada dia observo mais e mais isso, tanto no nível global quanto no nível corporativo. Quantos conflitos na sua empresa poderiam ser evitados se informações importantes fossem compartilhadas?

Estou muito frustrada e com raiva de toda essa história do coronavírus. Como assim? Quando as coisas começavam a melhorar, quando, apesar de tudo, a economia dava sinais de recuperação, a coisa toda desanda de forma global! Onde isso tudo vai parar?

Atônitos e chocados, com olhos arregalados, incrédulos, observamos o que acontece no mundo e questionamos o que vai ser do nosso futuro. Mas não temos as respostas.

Desde que me dediquei a estudar conflitos, notadamente os corporativos e os socioambientais, aprendi a observar as coisas de um modo diferente do que sempre fiz. Foi uma longa e desafiadora jornada. Ontem à noite, ao ver todas as coberturas jornalísticas, todos os podcasts, todas as mensagens de WhatsApp, tudo que estava disponível sobre o assunto, fiquei pensando em qual é a mensagem que eu ainda precisava compreender. A única coisa que vinha à minha cabeça era a expressão muito utilizada para estudos socioambientais: impactos sinérgicos e cumulativos.

Não é o que eu faço que vai me salvar do contágio da doença, é o que todos ao meu redor fazem para evitar o contágio. Esse é o sinérgico – um ajudando o outro. Se todos restringirem radicalmente o trânsito desnecessário, o contato físico, poderemos diminuir o impacto da transmissão – o cumulativo.

Será que temos pensado assim ao longo do tempo, enxergando os efeitos de tudo aquilo que fazemos na nossa cadeia de relacionamentos? Vejo em minha experiência que as empresas subestimam a necessidade de informações para as comunidades, físicas ou virtuais de seus negócios e com isso acabam criando ambientes propícios para a propagação e disseminação de falsas versões sobre o que realmente acontece e sobre o que pretendem realizar no futuro.

A falta dessa clareza, que muitas vezes é defendida como discrição empresarial, pode e é interpretada pelas comunidades como soberba e falsidade e cria o terreno propício para versões e interpretações que não refletem os reais interesses corporativos. Já ouvi das comunidades “verdades” sobre os projetos da empresa que mais pareciam saídos de um filme de ficção científica e tive que realizar um enorme esforço para dar credibilidade ao que realmente era o objetivo e a prática corporativa. A falta de informações verdadeiras se unia ao desejo elevado pelas mesmas (sinergia) e ía se acumulando ao longo do tempo culminando num conflito que poderia ser facilmente resolvido se as coisas fossem antes de tudo claras para todas as partes. Como já dizia Aristóteles, “todo homem deseja, por natureza, saber”.

Estamos começando a compreender que somos seres humanos antes de tudo, uma rede de pessoas, de verdade, muito antes de estarmos conectados pela internet.

Quando um elo se rompe, todos sofremos, temos que cuidar uns dos outros de forma consistente e real. Estamos tendo uma aula prática da teoria do caos e do efeito borboleta.

E como levaremos essa lição para a prática corporativa?

Analisando este conflito causado pelo coronavirus fica claro, para mim, que a estratégia de reter informações, desacreditar dados para evitar o pânico, foi o que causou seu crescimento gigantesco. Informação correta, fidedigna, clara e rápida sempre evita a escalada dos conflitos. Cada dia observo mais e mais isso, tanto no nível global quanto no nível corporativo. Quantos conflitos na sua empresa poderiam ser evitados se informações importantes fossem compartilhadas?

Compreender os efeitos sistêmicos de nossas pequenas atitudes, a propagação daquilo que fazemos intra-muros, as várias cadeias de relacionamento que nos cercam, o efeito cumulativo de nossas informações – ou da falta delas – é um desafio novo, e agora numa escala que ainda não tínhamos compreendido realmente.

Aula prática: Teoria do Caos e Efeito Borboleta

A Teoria do Caos trata das pequenas mudanças – ou erros – que ocorrem no início de um processo e que alteram os resultados finais. Isso se aplica a qualquer área das ciências, da matemática à biologia, da astronomia a gestão de conflitos.

A forma mais popular de entender este fenômeno é o propagado efeito borboleta – que virou até um filme – que diz que o bater das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo. Ë exatamente isso que estamos vivendo: aula prática da teoria do caos e do efeito borboleta.

É preciso uma mudança de mindset, é preciso reenquadrar este conflito global e trazê-lo para mais próximo da nossa vivência – que é onde podemos ter algum tipo de controle – e repensar a forma como temos gerido nossas relações pessoais e corporativas, como temos lidado com as pessoas interessadas nas nossas atividades e operações. Não estamos isolados, fazemos parte de uma rede, de um sistema vivo e temos enorme responsabilidade pelo todo e pelas partes.

Nesse momento de incertezas, que somos confrontados com nossa insignificância pessoal, com nossa pequenez, torço para que tenhamos a habilidade de realizarmos análises profundas e sistêmicas e que possamos compreender efetivamente nossa responsabilidade em tudo que nos cerca e que possamos contribuir, de forma positiva e propositiva com a transformação de nossos conflitos no mundo e nas empresas.

Torço para que tenhamos serenidade e saúde nesse momento.

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